Histórico

Introdução

O Núcleo Transdisciplinar de Meio Ambiente e Desenvolvimento constitui um espaço de promoção de atividades integradas de pesquisa-ação-formação comunitária, vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Sociologia Política da Universidade Federal de Santa Catarina (PPGSP-UFSC) e à Associação Brasileira de Pesquisa e Ensino em Ecologia e Desenvolvimento (APED). Desde 1997, o NMD integra o Diretório de Grupos de Pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), usufruindo de apoio permanente na forma de bolsas de produtividade científica, iniciação científica, apoio técnico e pós-doutorado.

Além de contribuir para o avanço teórico e metodológico da pesquisa socioambiental no País, nos níveis básico e aplicado, ele foi criado visando (i) estimular uma reflexão permanente sobre os fundamentos epistemológicos e éticos desta nova área de conhecimento inter e transdisciplinar; (ii) acolher e orientar estudantes  de graduação e pós-graduação, estagiários e pesquisadores brasileiros e estrangeiros; (iii) oferecer cursos de capacitação em gestão compartilhada de recursos naturais de uso comum; (iv) oferecer asssessoria técnica a instituições governamentais e não-governamentais interessadas na criação de Agendas 21 locais; e (v) contribuir para a difusão de informação científica mediante a promoção de conferências, seminários e simpósios, além da manutenção de uma linha editorial e de um centro de documentação aberto à comunidade.

Integram atualmente o NMD professores e estudantes de graduação e pós-graduação associados às áreas de biologia, ecologia, geografia, oceanografia, agronomia, aqüicultura e pesca, engenharia sanitária e ambiental, psicologia, história, sociologia, ciência política, antropologia, economia, administração, direito, pedagogia, jornalismo, turismo e ciências da computação.

Desde a sua criação, em 1987, o NMD vem se mostrando também capaz de mobilizar a participação de especialistas e equipes universitárias sediadas em outros estados brasileiros e no exterior. No rol das suas principais instituições parceiras figuram hoje em dia a Universidade de São Paulo, a Universidade de Campinas, o Laboratório de Ciências Tecnológicas da Terra e do Mar da Universidade do Vale do Itajaí (CTTMar-UNIVALI), a Fundação Universitária de Blumenau (FURB), a Universidade do Sul do Estado de Santa Catarina (UNESC), a Universidade Federal de Joinville (UNIVILLE), a Universidade do Desenvolvimento do Estado de Santa Catarina (UDESC), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), o Instituto Chico Mendes (ICMBio), a Chefia e o Conselho Gestor da Área de Preservação Ambiental da Baleia Franca, o Fórum da Agenda 21 local da Lagoa de Ibiraquera, a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural do Estado de Santa Catarina (EPAGRI-SC), a Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca da Presidência da República (SEAP), o Conselho Nacional de Populações Tradicionais (CNPT), o Ministério Público Federal, o Instituto de Recursos Naturais da Universidade de Manitoba (Canadá), a Universidade do Québec em Montréal (UQAM, Canadá), o Centro de Pesquisas sobre o Brasil Contemporâneo da Escola de Estudos Avançados em Ciências Sociais (CRBC-EHESS, França), a Universidade de Tours (Département Aménagement / Laboratoire CITERES), a Universidade de Grenoble (Institut de Géographie Alpine), e o Centro de Cooperação Internacional em Pesquisa Agronômica para o Desenvolvimento (CIRAD, França).

Após duas décadas de envolvimento com a pesquisa básica e aplicada no domínio da ecologia humana sistêmica, este coletivo transdisciplinar ocupa hoje em dia uma posição de destaque no sistema universitário brasileiro. Pois já se tornou um lugar-comum na comunidade científica (nacional e internacional) o reconhecimento de que têm sido muito lentos os avanços alcançados na busca de elucidação da problemática socioambiental por meio de enfoques integrados, mobilizando as ciências sociais e as ciências naturais básicas e aplicadas. No contexto internacional, por exemplo, apenas em 1994 a Associação Internacional de Sociologia (ISA) optou pela criação de um comitê centrado na investigação do binômio ambiente & sociedade (Lange, 2002). Já no contexto brasileiro, a criação pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) de um comitê assessor especial para estimular a consolidação do campo interdisciplinar das ciências ambientais somente foi efetivada no final de 2004. Atualmente, este comitê parece ter sido temporariamente dissolvido e as demandas de financiamento para projetos relacionados à problemática socioambiental têm sido acolhidas, entre outros comitês mono-disciplinares, pelo comitê interdisciplinar, que responde pela avaliação de projetos vinculados às mais diversas linhas de investigação na ciência contemporânea. Além disso, a consulta atualizada aos relatórios sobre o estado-da-arte das pesquisas em curso indica que o tratamento disjuntivo e mono-disciplinar das dinâmicas bioecológicas e socioculturais continua sendo percebido e exercido como uma prática legítima na comunidade científica, nas instituições de gestão governamental, na mídia e nas organizações civis envolvidas com políticas públicas de desenvolvimento rural e urbano no País.

Sensível à necessidade de “catalisar” atualmente o processo de integração teórico-metodológica e inter-institucional no campo das pesquisas sobre desenvolvimento territorial sustentável no País, o NMD-UFSC tem insistido no reconhecimento do potencial integrativo contido no novo paradigma sistêmico-complexo. Seus membros têm evidenciado também a necessidade de uma política de reorganização universitária que leve realmente em conta uma abertura mais consequente aos desafios sui generis colocados pela crise planetária do meio ambiente e do desenvolvimento.

No que se segue, procuramos resgatar os principais pontos de inflexão da trajetória de evolução da equipe, indicando cursivamente não só os principais resultados alcançados até agora, mas também os inúmeros obstáculos a serem enfrentados nos próximos tempos. Acreditamos assim que esta síntese possa se mostrar útil a uma avaliação crítica de processos inovadores e integrativos de pesquisa-ação-formação no nível local ou comunitário e à busca de novos acordos de cooperação com equipes similares atuando no País e no exterior (Vieira e Fontan, 2009).