IV – Gênese do projeto Ibiraquera

GÊNESE DO PROJETO IBIRAQUERA (1999-2001)

As principais linhas de atuação assumidas no período anterior foram mantidas e expendidas no plano bi-anual de trabalho para 2001-2003. A equipe continuou a priorizar a implementação do projeto-piloto de diagnóstico socioambiental participativo voltado à criação de uma Agenda 21 local na área de entorno da Lagoa de Ibiraquera. Por outro lado, os contatos internacionais realizados neste período favoreceram uma ampliação significativa da rede de parcerias internacionais do NMD.

Vale a pena destacar aqui como especialmente relevantes as novas linhas de cooperação abertas com docentes-pesquisadores vinculados às Cátedras de Estudos sobre ecossistemas urbanos (Laurent Lepage e Normand Brunet) e sobre Educação relativa ao meio ambiente (Lucie Sauvé e Isabel Orellana) na UQAM e ao Núcleo de pesquisas sobre ecoformação, coordenado por Gaston Pineau na Universidade de Tours, na França. Ao mesmo tempo, intensificaram-se os laços de intercâmbio que vinham sendo mantidos desde 1999 com Pierre Dansereau e Fikret Berkes, no Canadá. Vale a pena salientar ainda a organização do manual de Introdução à gestão comunitária de recursos naturais, por iniciativa de Paulo Freire Vieira, Fikret Berkes e Cristiana Simão Seixas, colocado em circulação em 2005.

Outro ponto de referência importante consistiu num diagnóstico atualizado do meio físico na área de entorno da Lagoa de Ibiraquera, voltado para a criação de um sistema de informações geográficas (SIG). A equipe trabalhou com fotos aéreas obtidas no período de 1957 a 2001, além de imagens do satélite Landsat cobrindo o período de 1996 a 2002 A plataforma de trabalho escolhida para o gerenciamento destas informações foi o Arc View (ESRI). Com relação ao estágio de inserção das informações no banco de dados foram criadas (i) a base cartográfica, (ii) o mapa de vegetação e fauna, (iii) o mapa de usos do solo e (iv) o mapa de relevo e hidrografia. A etapa seguinte consistiu na inserção de uma base de dados relativos à agrodiversidade, à pesca, à socioeconomia do turismo e ao diagnóstico do sistema de atendimento de saúde (oficial e paralelo) existente na área.

Em julho de 2003, o Fundo Nacional do Meio Ambiente (FNMA) aprovou um pedido de financiamento para um novo e ambicioso projeto de manejo integrado da pesca artesanal nessa área, no âmbito de um edital intitulado Gestão Participativa do Uso de Recursos Pesqueiros nas Zonas Costeira e Marinha do Brasil. Em síntese, a intenção era complementar o trabalho de diagnóstico socioambiental participativo em curso na época, como parte da construção de um cenário de co-gestão adaptativa dos recursos pesqueiros para uso dos integrantes do Fórum da Agenda 21 local.

A implementação deste projeto gerou importantes subsídios para o fortalecimento institucional e para o ganho progressivo de legitimidade do Fórum. Como já foi mencionado acima, além de um espaço de promoção da cidadania ambiental na área, este espaço de planejamento participativo foi criado para dinamizar e integrar os setores de pesca e aqüicultura, agroecologia, turismo educativo de base comunitária, saúde ecossistêmica, educação para o ecodesenvolvimento e recuperação de áreas degradadas.